Um olhar sobre as práticas pedagógicas: por uma educação não sexista

Sindi Bones é professora da rede municipal de Educação; Graduanda em Pedagogia pela Faculdade Anhanguera e Graduada em Comércio Exterior pela Uninter

As breves reflexões sobre gênero nas escolas e sobre a práxis escolar apontam para muitos desafios e possibilidades. A pretensão não é de chegar a conclusões fechadas. No entanto, é impossível deixar de apontar um conjunto de desafios que estão postos para todos e todas individualmente e para instituições sociais incluindo a família, a escola, as organizações políticas e a sociedade civil. Um desses desafios é a fundamentação de teorias que permitam pensar a pluralidade articulada à igualdade, assim como políticas educacionais alternativas e relevantes sobre gênero, em contraponto às unidades e universalidades vazias, aos esquemas binários hierárquicos, conforme salienta Scott (1995).

Outro desafio é aprofundar o debate que vem sendo construído há décadas em relação às questões de gênero. É preciso respeito acadêmico que passe pela apropriação do que outros autores pesquisaram e já escreveram sobre gênero e outros temas afins. Podem-se questionar determinadas concepções que legitimam práticas de discriminação de gênero, que hierarquizam papéis sociais e funções familiares. É fundamental problematizar práticas educativas que fortalecem posições binárias entre o que cabe ao menino e o que compete à menina, desde as brincadeiras até papéis sociais.

Em debates com grupos de professoras e professores, é possível verificar que a maioria dos/as docentes possui uma concepção sobre gênero com base no senso comum e fortemente influenciada pelos valores, crenças e comportamentos culturalmente definidos. A grande questão é analisar práticas que separam as crianças de acordo com o sexo (que proíbem meninas de jogar bola, por exemplo), em que o gênero masculino é privilegiado.

A violência contra a mulher continua a crescer. Trata-se de um problema social, e não individual, pois a questão se situa na tolerância e até incentivo da sociedade para que os homens exerçam sua força-potência-dominação contra as mulheres, em detrimento de uma virilidade doce e sensível. Violência de gênero não ocorre aleatoriamente. Ela deriva de uma organização social de gênero que privilegia o masculino (SCOTT, 1995).

A educação para as relações de gênero mais justas e democráticas tem de ser perpassada pela práxis de modo que as teorias precisam embasar as práticas e as reflexões sobre as práticas. Qualificar as teorias e os modos de intervenção pedagógica e a conscientização de que o letramento não é o suficiente para “imunizar” um/a profissional qualificado/a de disseminar práticas sexistas, discriminatórias, machistas.

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