Em defesa do magistério estadual: qual a missão para 2017?

Bianca Damacena é Professora de Português, Literatura e Inglês da Rede Estadual do RS, Doutoranda em Análise do Discurso (UFRGS),Mestra em Letras (UPF),Especialista em Metodologias do Ensino de Línguas Portuguesa e Estrangeira (UNINTER). Contato: bianca.damacena@gmail.com

Ser professora da Rede Estadual no Rio Grande do Sul tem se provado cada vez mais uma tarefa muito árdua. Recentemente, temos vivido um verdadeiro drama do magistério estadual. Como se já não bastasse nossos vencimentos serem quase 70% do valor estipulado pela Lei do Piso Nacional, ainda tivemos nosso salário congelado, sem conseguir acompanhar minimamente a inflação. Além disso, recebemos em suaves prestações ao longo do mês, que vão se diluindo em contas, juros do cheque especial e desalento.

Depois ainda veio o “terrorismo” do 13° parcelado em 12 meses.

O resultado de toda essa angústia, sem saber ao certo quanto e quando vamos receber, tem levado nossos colegas ao desespero. O governador José Ivo Sartori (PMDB) não trata com seriedade a categoria, parcela salário, quer fechar turnos e escolas e segue a todo vapor aplicando o ajuste fiscal para pagarmos a conta de uma crise que não é nossa. Ele alega que o RS não tem dinheiro, mas dá incentivo fiscal para empresas, não cobra os grandes sonegadores de impostos e continua pagando a dívida com a União.

O governo federal, por sua vez, tem de ser responsabilizado pela crise do Rio Grande do Sul (e de mais onze outros estados), pois também destina grande parte do dinheiro arrecadado para pagar a dívida externa. Sem falar nos grandes escândalos de corrupção envolvendo o governo e base aliada anterior, de Dilma (PT), e o atual, com Temer (PMDB), e seus respectivos financiadores de campanha. Todo esse relato trata de um grande desrespeito com o magistério e com o funcionalismo público em geral.

A má notícia é que, com o agravamento da crise que os governos criaram, o ajuste vai continuar sendo aplicado: o ilegítimo presidente Temer vetou o socorro aos Estados que estão em crise; tem a reforma da previdência que vai nos obrigar a trabalhar até morrer e também a PEC 55, que limita os investimentos nas áreas sociais e congelará salários por vinte anos.

Diante de todo esse quadro, não nos resta alternativa senão resistir e lutar incessantemente para que nossos direitos não sejam retirados. É preciso que a categoria de educadores e educadoras se unifique com outras e, juntas, construam uma forte greve geral para barrar os ataques que estão por vir em 2017, orquestrados por Temer e Sartori.

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