Fazer da escola se situa no espaço público

Docentes discutiram os rumos da educação no VI Congresso dos Professores Municipais

Dando continuidade aos trabalhos do VI Congresso dos Professores Municipais e II Encontro Regional do PARFOR- UPF as atividades da quinta-feira (22) discutiram ensino à distância, privatização da educação, abandono familiar, violência na escola e inclusão. Os debatedores foram o economista Ginez Leopoldo, o doutor em filosofia Cláudio DalBosco e a doutora em sociologia Wrana Panizzi. Mais de 1500 pessoas participaram dos dois dias de atividade.

O doutor em filosofia Cláudio Dalbosco abriu as falas e pontuou que é preciso problematizar com mais profundidade as competências e habilidades do ser-humano, além de recuperar o importante papel das humanidades.

“Acredito que poderíamos trabalhar com o conceito da capacidade humana. É papel da escola e da universidade desenvolver todas as capacidades humanas em todas as direções. São importantes as capacidades cognitivas, o domínio da língua, a matemática, mas nós sabemos que a educação do ser-humano e da criança não pode se resumir a isso,” pontuou DalBosco.

O economista Ginez Leopoldo questionou os presentes se no Brasil, de fato, a educação é pública, gratuita e de qualidade. Destacou que o controle do estado por grupos corruptos das mais variadas correntes ideológicas e frisou que continuar insistindo que a responsabilidade do estado é desconsiderar sua falência financeira. Ainda defendeu o sistema de voucher, que consiste em parcerias entre estado e iniciativa privada para oferecer educação à comunidade.

“O populismo fiscal foi a marca dos governos de direita e esquerda nesse país, somos sempre reféns de um messianismo político! Nossa história construída em cima de farsas populistas e necessitamos, hoje, de propostas e soluções para resolver as finanças públicas e a iniciativa privada pode ser uma ferramenta para resgatar a qualidade de educação” afirma.

Atuando há mais de 50 anos de magistério, a ex-reitora da UFRGS Wrana Panizzi ressaltou a importância de uma entidade de classe pensar para além das questões funcionais. Disse, ainda, que o trabalho do professor é, sobretudo, trabalhar na esfera pública e que ser professor passa pela relação profissional/aluno que deve ser baseada no respeito.

“Porque, para quem e para qual sociedade queremos difundir este conhecimento? É no espaço público que se situa o fazer da escola, a educação é um bem público e daí a dificuldade de entendermos atividades que comercializam o poder público. A educação é uma atividade de todos e é uma atividade permanente. Nós deixamos de sermos indivíduo, no singular, para exercermos nossa pluralidade,” reiterou.

Eduardo Albuquerque, dirigente do CMP Sindicato, avalia positivamente a atividade, que pela primeira vez aconteceu também no turno da noite. “Feito desta vez em parceria com a Faed e o PARFOR, o nosso congresso foi sucesso em todos os aspectos. Foi um sucesso de público, com a participação massiva dos professores municipais, um sucesso na escolha dos palestrantes que trouxeram reflexões profundas e qualificadas para a categoria. Estamos muito contentes com o resultado deste processo que iniciou há alguns meses e que culminou hoje neste grande encontro em que celebramos a intelectualidade e a capacidade de reflexão que consideramos fundamental neste novo momento da nova sociedade,” finalizou.

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