A nova juventude e a escola humanizadora

Ivan Penteado Dourado é Professor de Sociologia – UPF, Mestre em Ciências Sociais, Doutor em Educação, Coordenador da Editora UPF

A geração atual de jovens mudou e mudou muito. A velocidade com que os estudantes ou alunos mudaram nos últimos dez anos foi profunda. As transformações são de diferentes ordens: o acesso à telefonia, internet, tecnologias e fontes de informação extremamente diversas (apesar de reconhecer o abismo social entre ricos e pobres no Brasil) são bastante evidentes. O convívio no interior da sala de aula reflete muito isso.

Se no passado recente tínhamos apenas a televisão, a escola e os pais figurando como as principais fontes de informação, a escola e especialmente os professores cumpriam uma função específica, sendo responsáveis pela apresentação dos principais conhecimentos científicos para a próxima geração. A responsabilidade de apresentação do máximo de conteúdos era fundamental, já que, se não fossem apresentados pela escola, resultariam em lacunas no conhecimento dos alunos.

Quanto à geração atual de jovens, mesmo com a infinidade de dificuldades econômicas e sociais (cabe ressaltar que estamos regredindo profundamente nos últimos anos), grande parte dos jovens possui celular, algum tipo de internet e acessa todo dia conteúdos diversos. Além disso, existem aplicativos de filmes e uma infinidade de redes sociais que ampliam muito a fonte de informação. Ou seja, existe uma distância grande relacionada ao que os estudantes possuem de fontes de informação e, em alguns casos, de conhecimento fora da escola. Essa infinidade de estímulos condu-los a desenvolver capacidade de atenção múltipla dividida de formas surpreendentes e, muitas vezes, pouco criteriosas ou amadurecidas no que vale ou não a pena focar (se o jovem não acreditar na importância de algo, vai migrar sua atenção rapidamente para o celular). Assim, será possível identificar que a escola e a sala de aula estão competindo com outras tantas atrações listadas anteriormente. Se essas questões não forem levadas em conta, estamos perdendo a essência que a educação atual precisaria se fundamentar, ou seja, na humanização.

Se essa diferenciação fizer sentido ao leitor e se essa nova geração de jovens for profundamente diferente, a escola e a sala de aula precisam se transformar. O professor não pode mais acreditar que ensina conteúdos e, se eles não forem todos ensinados, os seus estudantes não irão mais aprender. Na minha experiência, se a escola se construir em um espaço onde os estudantes são convidados a se encantar com os conhecimentos, onde sejam aguçadas as curiosidades sobre os conteúdos mais interessantes com ações pedagógicas dotadas de sentimentos e significados, formaremos mais que alunos. Formaremos seres humanos. Discutir temas atuais, combinados com conteúdos e reflexões que humanizam os seres, reforma a escola levando-a a cumprir um papel fundamental na construção de um Brasil melhor. Precisamos de uma geração crítica, de pensamento complexo e com comportamentos mais humanos. Sem isso, pouco ou nada muda. E aí, podemos contar com você?

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