Educação Inclusiva: O que é e os desafios no Brasil

Por Betina Ribeiro

A educação inclusiva foi a resposta para situações segregacionistas e que impediam o pleno desenvolvimento de alguns estudantes. Para alcançar a educação inclusiva é fundamental iniciar uma mudança de postura de alunos, gestores, professores e funcionários, já que se trata de um processo necessário e que não pode mais ser ignorado.

O papel da escola durante o processo de inclusão é de vital importância, já que cabe aos gestores os principais esforços e investimentos para que ela aconteça. Fortalecer a formação de professores e criar uma rede de apoio entre alunos, docentes, família e profissionais da saúde é um dos muitos passos que precisam ser implementados para o pleno desenvolvimento da educação especial na perspectiva da educação inclusiva.

Preparamos este artigo sobre o papel da escola na inclusão de alunos e os maiores desafios enfrentados pelas instituições de ensino do país. Confira!

O que é educação inclusiva

Entender como educação inclusiva a educação especial dentro da escola regular e objetiva transformar o ambiente acadêmico e equiparar oportunidades para todos os alunos. A educação inclusiva não é integracionista, já que a pessoa com deficiência não tem que se adaptar à sociedade. Trata-se de um processo de mão dupla, onde medidas são tomadas para que os alunos assistidos possam se integrar da melhor maneira, admitindo suas dificuldades e limitações.

Os cinco princípios da educação inclusiva são:

  1. Toda pessoa tem o direito de acesso à educação
  2. Toda pessoa aprende
  3. O processo de aprendizagem de cada pessoa é singular
  4. O convívio no ambiente escolar comum beneficia a todos
  5. A educação inclusiva diz respeito a todos

Inclusão educacional não é sinônimo de deficiência. O público alvo da educação inclusiva é formado por três grupos: os alunos com deficiência, alunos com transtornos globais do desenvolvimento ou transtorno do espectro autista e alunos com altas habilidades ou superdotação. A opção por esse tipo de educação não nega ou ignora as particularidades apresentadas, mas valoriza as diferenças que são vistas como diversidades.

A diversidade é benéfica para todos os envolvidos. Os estudantes que serão incluídos têm acesso à educação e os outros aprendem a conviver com as diferenças, desenvolvendo habilidades socioemocionais como empatia, respeito e senso de colaboração.

Plano Nacional de Educação (PNE) direciona a organização do sistema educacional e abrange a questão da educação inclusiva em suas diretrizes. Ele orienta esforços e investimentos para a melhoria do ensino no país e prevê que crianças e adolescentes entre quatro e dezessete anos com algum tipo de deficiência devem ter acesso à Educação Básica e atendimento especializado.

A educação inclusiva no Brasil

Até o ano de 2003 existia diferenciação entre escolas regulares e especiais. Hoje, com as novas diretrizes do PNE, escolas regulares recebem alunos com necessidades especiais. Para que isso ocorra, as instituições de ensino precisam passar por adaptações, como a implementação de rampas de acesso.

As adaptações feitas pela equipe escolar não precisam ser adaptações curriculares. Adaptar o acesso ao conteúdo é uma solução para que todos os alunos tenham as mesmas oportunidades. Um texto trabalhado em sala pode ser adaptado para um audiolivro. Assim, um estudante com deficiência visual pode acessá-lo. A questão é focar nas potencialidades dos discentes de modo que ele aprenda os conceitos.

Muitos são os desafios da educação inclusiva, mas podem ser superados se todos os funcionários, gestores e discentes se organizarem e cooperarem para que o processo de inclusão seja proveitoso para todos.

Os desafios da educação inclusiva no Brasil

A inclusão deve garantir que os jovens tenham acesso à aprendizagem. Oferecer as condições necessárias para a operacionalização de um projeto pedagógico inclusivo é um desafio para os gestores. Eliminar as barreiras arquitetônicas é o primeiro passo para uma inclusão efetiva, assim como a introdução de recursos e tecnologias assistivas.

Além da incorporação de um corpo docente especializado em educação especial, é necessário que alternativas à organização, ao planejamento e à avaliação do ensino sejam implementadas.

Professores e funcionários sem formação especializada

A implementação da educação especial em escolas regulares exige educadores preparados para atender às necessidades do ensino inclusivo. A formação continuada tem um papel fundamental para a manutenção desses profissionais, que podem ir acumulando saberes e construindo experiências a partir das práticas. A implementação de tecnologias assistivas em sala de aula pode ser um auxiliador para o docente nesse processo delicado de inclusão. Estabelecer uma relação entre os profissionais da saúde e da educação pode aprimorar os conhecimentos dos professores.

Infraestrutura

Entre as necessidades que interferem no processo de ensino-aprendizagem de educação especial, estão as adaptações no espaço físico. Essas adaptações podem exigir tempo e investimento por parte dos gestores, mas não devem ser um empecilho para a inclusão de rampas de acesso, banheiros com acessibilidade, elevadores e portas mais largas

Ausência de tecnologia assistiva

A tecnologia assistiva auxilia o profissional da educação no processo de inclusão educacional especial. Existem uma série de programas, gratuitos ou não, que podem contribuir para a inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares.

Preconceito

Permitir que alunos, pais, responsáveis e funcionários dialoguem sobre diversidade é uma iniciativa que pode solucionar o estranhamento que pode vir da inclusão em escolas regulares. Discussões e debates em sala de aula sobre a valorização do convívio com as diferenças, além de incentivarem a empatia e o respeito, promovem interação.

Falta de professores de apoio e especializados

A falta de professores de apoio e especializados é destaque entre os desafios encontrados na implementação da educação inclusiva no Brasil. A legislação prevê salas de recursos especializados acontecendo em contraturno durante o período letivo. Existe uma diferenciação entre os dois profissionais necessários em uma sala de aula inclusiva. O profissional com formação em educação especial e o profissional regular devem atuar em conjunto para que a integração do educando às classes comuns seja eficiente.

Turmas com excesso de alunos

O Brasil tem identificado nos últimos anos que o número de alunos com deficiência que dividem a sala de aula com alunos sem deficiência vêm crescendo, o que é bastante positivo. Entretanto, é necessário perceber que não é ideal que o número de estudantes em uma turma inclusiva seja o mesmo que o de uma turma regular.

Uma escola com educação inclusiva precisa passar por adaptações para que os alunos assistidos possam efetivamente usufruir da experiência da educação. Turmas muito numerosas sobrecarregam os profissionais que sentiram dificuldade em lidar com os alunos com necessidades especiais e os discentes não receberão todo o apoio que necessitam durante o processo de ensino-aprendizagem.

Tecnologias em prol da educação inclusiva

O termo usado para identificar os recursos utilizados para proporcionar e ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência é tecnologia assistiva. A tecnologia assistiva tem como objetivo promover uma vida independente para aqueles que ela assiste e sua inclusão na sociedade como um todo. Podemos considerar tecnologia assistiva produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que possibilitam a inclusão.

Existem diversas ferramentas que ajudam os alunos com necessidades especiais em suas práticas didáticas diárias, como audiolivros, lupa eletrônica e programas sintetizadores de voz. As escolas podem implementar essas ferramentas de acordo com as demandas ou o número de alunos com necessidades especiais matriculados. Pensar em quem demanda o uso de cada ferramenta e para qual situação pode direcionar os gestores no momento de escolha de quais ferramentas serão implementadas.

Conclusão

Apesar dos desafios, a educação inclusiva é fundamental para o fim de processos históricos de segregacionismo. Favorecendo o desenvolvimento cognitivo de jovens com deficiência e promovendo ganhos no desenvolvimento socioemocional, a implementação da educação inclusiva gera benefícios para todos.

O convívio com a diversidade pode desenvolver a socialização, empatia e senso de ajuda em alunos sem deficiência. Para os alunos com deficiência a inclusão além de favorecer o desenvolvimento de habilidades em Linguagens e Matemática, por exemplo, reduz o número de incidentes comportamentais. Baixe o e-book gratuito e saiba mais sobre como o ensino socioemocional ajuda a combater o bullying: https://www.somospar.com.br/educacao-inclusiva-o-que-e-desafios-no-brasil/

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