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EMEF Daniel Dipp: projetos para valorizar o aluno e a escola

Escola foi escolhida para o Perfil da VI edição do jornal Educação e Debate

Inaugurada em setembro de 1992, ainda como Centro Integrado de Educação (CIEP), a atual Escola Municipal de Ensino Fundamental Daniel Dipp é uma das maiores escolas da rede municipal no que diz respeito à estrutura física. O espaço físico amplo, um dos maiores da rede municipal e que conta com três prédios e ginásio, recebe cerca de 600 alunos do bairro Hípica e arredores, que estudam do 1º ao 9º ano, divididos nos turnos da manhã e da tarde.

Equipe diretiva do Dipp

O nome da escola foi escolhido como forma de homenagear Daniel Dipp, pai do Prefeito da época Airton Lângaro Dipp, que faleceu em novembro de 1987. O pátio concentra as principais atividades de sustentabilidade desenvolvidas pela escola, que conta com 39 professores, uma secretária, 10 funcionários e 12 monitores.

O trabalho da EMEF é desenvolvido, em especial, através de projetos pensados pelos professores da equipe. A política da escola que se destaca é a vivência, na prática, das experiências de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. A EMEF se sobressai pelo envolvimento em projetos que têm como objetivo não só educar, como também sensibilizar os alunos sobre a importância do meio ambiente.

Quem entra pela primeira vez na escola se sente abraçado pelas cores que vibram das paredes, das escadas, dos brinquedos. O grande projeto da “Escola Colorida” é uma das iniciativas que orgulha a trajetória da então diretora Ana Delise Cassol.

MAIS CORES: ESCOLA DIFERENTE

Ana Delise atua na escola desde 2002 quando, segundo ela, era perceptível que os alunos não se importavam com a escola, não se sentiam parte daquele coletivo. “O que eu senti de mais triste aqui, quando eu entrei, é que eles não tinham amor nenhum pela escola, era tudo quebrado, riscado, vandalizado. A escola não tinha muros; então, as pessoas entravam de moto, de cavalo, a hora que queriam. O pátio era terra de ninguém”, desabafa.

A equipe teve um trabalho acirrado para começar a mudança de percepções da comunidade. Trabalhando aluno por aluno, chamando em particular e com muito amor, assim foi tomando forma um trabalho que hoje colhe os resultados. O projeto Escola Colorida veio com o intuito de chamar a atenção de que o foco da vida deles é a escola.

Nesse meio tempo, o projeto da prefeitura “Escola de Cara Nova” fez algumas reformas, colocou umas cores clarinhas nas paredes, que foram completadas pela equipe da escola com cores fortes fazendo contraste e dando vida aos prédios, antes cinzentos.

O primeiro espaço a receber uma pintura especial foi a caixa d’agua, que foi colorida com desenhos a lápis de cor, tornando possível perceber o que aquelas cores causavam nos alunos: uma mudança positiva. “Daí para diante, começamos a pintar corredor, buscar quadros para enfeitar os corredores, uma professora de artes fez a releitura de Romero Britto para colocarmos nos corredores, e mandamos fazer um quadro bem grande para colocar no refeitório”, conta a diretora com um sorriso de satisfação estampando o rosto.

ESCOLA MAIS VERDE, FLORIDA E SUSTENTÁVEL

A iniciativa foi criada para, sobretudo, incentivar a sustentabilidade e a preocupação com o meio ambiente, potencializando a valorização da escola. Desse projeto surgiram vários outros projetos com a mesma temática. “Escola mais verde” é um projeto encabeçado pelas professoras Neusa Martins e Marisa Maria Razzio, que atuam na rede municipal desde meados dos anos 90.

Com um artigo relatando sua construção publicado no livro “Práticas pedagógicas a partir de projetos de educação ambiental”, da ONG Elo Verde, o projeto permitiu que hoje a escola conte com uma horta, jardim, pomar, captação d’água e compostagem. O trabalho é realizado com professores, alunos e comunidade e consiste no envolvimento da comunidade escolar para manter a escola florida, com horta e demais espaços verdes bem cuidados e preservados.

Como o próprio artigo relata, este é “um sonho que surgiu em 2013, com o desenvolvimento dos projetos para a IV Conferência Infanto-juvenil do Meio Ambiente (CONIJMA), tendo algumas ações iniciadas em seguida, como o plantio de árvores e o início da horta”. Em 2014, o projeto foi reestruturado e trabalhou pela arborização interna e externa da escola, a construção de floreiras para jardinagem e horta, com compostagem e captação de água da chuva para irrigação.

Nessa conferência, cada turma criou seu projeto. Alunos, pais e convidados escolheram o projeto que seria adotado pela escola. A partir daquele momento, o projeto foi abraçado pela comunidade escolar, que o colocou em prática de forma a inspirar tantos outros projetos que vieram posteriormente. Com auxílio de recursos federais, aconteceu o primeiro plantio de árvores, seguido da construção da horta e de floreiras.

As flores são acomodadas em materiais reutilizados, como latas de alumínio, caixas de frutas e pneus, que se juntam às mais de 90 árvores plantadas. Já a água captada da chuva é utilizada para irrigar a horta, as flores, os jardins e auxiliar na limpeza dos banheiros e calçadas. A escola também desenvolve um trabalho de arrecadação de pilhas e baterias de telefones celulares, promovendo o descarte correto desses itens.

VIVÊNCIA PRÁTICA

Foi através do desenvolvimento de projetos que a equipe descobriu ser mais fácil de aplicar as mudanças que sonharam para a escola. A responsabilidade do desenvolver dos projetos é uma responsabilidade compartilhada com os alunos – as turmas são divididas de forma que a cada ano uma fica responsável por determinada área.

A valorização da escola e, em especial, a valorização dos alunos, foi um trabalho conjunto dos professores e funcionários – fosse promovendo palestras, elogiando, fosse fazendo um projeto de valorização para que eles se sentissem importantes, para que a escola se transformasse em um ambiente gostoso. Aí começou, ano após ano, momento após momento, até chegar ao resultado de hoje. As reformas da escola são pagas com as verbas municipais e federais – que são insuficientes – e com promoções e campanhas da própria escola para arrecadação de fundos.

Um Espaço Teen está entre esses planejamentos que se concretizaram ao contar com a ajuda dos estudantes para a construção, com pallets, de um pergolado. O espaço é utilizado tanto para confraternizações quanto para aulas diferenciadas. Eles ainda contam com um muro disponível para desenhos, manifestações artísticas e escritas, buscando coibir o vandalismo na escola. Depois da inauguração do espaço, o número de pichações e vandalismos nas paredes despencou.

 

FAMÍLIA DIPP

Na EMEF, é perceptível que o diferencial está no comprometimento dos colegas e na sua valorização por parte de direção e coordenação. É através do trabalho em equipe que a Daniel Dipp realizou tantas mudanças nos últimos anos. De uma escola depredada, cinza e sem vida, passou para o colorido, a afetuosidade e a vida pulsando através de centenas de crianças e adolescentes, que hoje se sentem parte do educandário.

“Nós somos uma família, de tal forma que uma sabe quando a outra está mal-humorada, quando a outra fica doente, e nem tem necessidade de se lamuriar, só de olhar nós já sabemos. Toda manhã é uma beijação, é abraço para todo lado. A gente se encontra com afetuosidade na sala dos professores. Todos têm esse carinho, esse envolvimento, até os que não são tão chegados em trocas de carinhos”, diverte-se a diretora.

Para Ana Delise, um dos motivos da mudança de comportamento dos alunos é o fato de eles saberem que a equipe se respeita. “Eu jamais vou tirar a razão de um professor dentro de sala de aula, eu sou aliada do professor em sala de aula. Tu vês o resultado dos alunos que, quando se queixam que tiveram alguma situação com algum professor, em seguida já emendam dizendo que sabem que precisam melhorar e devem se esforçar para isso”, afirma.

Segundo ela, é possível notar a consciência deles e isso é resultado do trabalho dos professores. Eles percebem que a nossa equipe é unida. “Eles sabem que jamais um professor vai bater de frente tirando a responsabilidade do que outro colega disser em sala de aula. Aqui no Dipp, a sala dos professores funciona como uma terapia! Brincadeiras, conversas, carinho, afeto…  É um ambiente gostoso, porque todo mundo gosta de estar ali e o resultado disso é 100% em sala de aula, até o humor dos professores muda, porque tu sais duma sala dos professores animada, tu vais para a sala de aula mais leve, tranquilo”, confessa Ana.

Atualmente cedido para os trabalhos do CMP Sindicato, o professor Tiago Machado atuou como professor de geografia na escola em 2017 e 2018. Para ele, a Escola Daniel Dipp, assim como outras da rede, possui inúmeros predicados, porém alguns destes a distingue.

“O primeiro que salta aos olhos é seu espaço físico, tanto externo quanto interno, que se destaca não apenas pelo seu tamanho, mas também pela beleza e funcionalidade; os vários projetos que visam tornar a ação pedagógica cada vez mais prática, sobretudo, a alegria do grupo docente, uma vez que a sua sala dos professores é uma das mais alegres do município”, destaca.

“Eu amo essa escola! Já me aposentei e estou aqui, vim por 20 anos de Erechim porque aqui é um lugar maravilhoso de trabalhar. Eu gosto, aqui é a minha família, é a única escola que a gente realmente se sente bem, sempre teve respeito pelo trabalho, amizade, parceria”, conta a sorridente professora Marisa.

Neusa frisa que o envolvimento dos colegas que compõem a equipe faz toda a diferença nos resultados obtidos. “Eu acho que as coisas acontecem aqui… Quando os professores pensam algo, a gente faz que aconteça. Prova disso é o projeto ‘Escola mais verde, florida e sustentável’, que teve um enraizamento, o que é muito bom e deu continuidade sob novas roupagens”, conta.

É PRECISO AVANÇAR

Trabalhar o envolvimento dos pais com a escola ainda é o grande desafio dos professores e da equipe diretiva. Conforme destaca Ana Delise, o cenário já começou a mudar, mas há um grande caminho até se alcançar o envolvimento ideal da família na vida escolar da criança.

Segundo Ana, desde o ano passado, as coisas começaram a mudar quando os pais passaram a acompanhar pelas redes sociais da escola todas as mudanças feitas e todos os diferenciais trabalhados na escola.

A maior dificuldade da equipe da EMEF ainda é fazer a comunidade presente nos eventos de arrecadação de verba e se sentir parte da escola. A ajuda pode ser cortar grama, trocar um vidro, fazer um reparo… “Sonhamos com a comunidade mais presente na escola. Eu não posso só ver o meu aluno, eu tenho que ver estes pais, que formam conosco a grande comunidade da escola”, confessa a diretora.

Tudo que é feito é postado nas redes sociais para dividir com a comunidade o que a direção e os professores fazem dentro da escola. Essa amostragem no Face faz com que os pais olhem a escola com outros olhos, adotem a escola de outra forma. “Isso dá credibilidade e traz os pais para a escola. Neste ano, tivemos a alegria de ter mais de 300 pais numa reunião. E isso tudo é resposta para o que nós estamos fazendo aqui dentro, eu tremia de emoção em ver a resposta da comunidade”, revela Ana.

O relato das ações da escola pelas redes sociais potencializou esse canal de comunicação com a comunidade. Segundo afirma, mais do que nunca, os pais estão dando sugestões, comentando nas postagens, dando um feedback para os professores e direção. “Isso te edifica mais ainda, te dá vontade de fazer cada vez mais coisas na escola. Eu, junto dos professores e funcionários, não faço uma escola sem os pais. Nós não construímos uma escola sozinhos.”

As verbas estaduais e municipais que a escola recebe são destinadas, quase que integralmente, para a manutenção do ambiente escolar. Já a realização dos diversos projetos originados a partir do “Escola Mais Verde” depende diretamente do apoio e parceria com outras entidades, iniciativa privada e universidades.

Dentre os próximos passos, o sonho é trocar os vidros das salas de aula. “É uma estrutura construída com a mentalidade de que colégio de vila não precisa de cortina e, se você perguntar para os alunos, com a beleza que a escola tem hoje, eles reclamam dos vidros. ”

A entrada da escola é um dos próximos projetos que a direção pretende encampar, pois a entrada da escola, assim como as janelas antigas com vidros já encardidos das antigas depredações, não condiz com o colorido e a vida que pulsa no restante da EMEF Daniel Dipp.

OUTROS PROJETOS:

Sorriso Feliz – as crianças escovam os dentes após a merenda diariamente.

Vernissage – uma vez ao ano, os alunos expõem os trabalhos realizados.

Hora da Leitura – semanalmente a escola dedica um período para leitura.

Páscoa e Natal Doce – com as parcerias as crianças recebem doces nestas datas.

InoZENcia – As crianças têm aula de meditação, respiração e postura.

Semana do Estudante – Gincanas, brincadeiras, desafios e serviço social são os objetivos.

Semana da Criança – Brincadeiras, jogos, recreações realizadas durante a semana toda.

Trânsito – Brincadeiras sobre o trânsito em uma imitação de estrada (rua) no qual as crianças aprendem o respeito e normas.

Sala de psicomotricidade- Espaço preparado visando à inclusão, oferece todos os tipos de jogos que trabalhem a questão

Nosso Bairro, Nossa Casa – O cuidado com o entorno da escola e ruas onde moram (lixos, embelezamento)

Dirigentes do CMP Sindicato, Tiago Machado e Regina Costa dos Santos, com a diretora  da EMEF Ana Delise Cassol

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